Naquele Jardim
Madrugada em Arealva, uma pequena cidade do interior paulista. Estávamos na praça central da cidade, um grande jardim banhando a igreja católica – equipe e mais algumas pessoas da igreja a qual estávamos servindo.
Dois violões, um violino, um fundo musical a procura de objetivo. Seria evangelismo? Algo muito prosélito, eu sei.
Olho para os lados, algumas poucas pessoas se aproximam. Um grupo de jovens compartilham drogas, outros paqueram moças, outros poucos, timidamente, se aproximam para ouvir mais de perto o que surgia naquele bolo de pessoas desconexas.
Ao fundo, ao olhar sobre os ombros daqueles que criavam os sons, percebo um velho homem se sentar, atraído pelo conjunto de notas produzido a poucos metros de distância.
De qual deles devo me aproximar?
Como que diante daqueles enigmas para entender qual é o Santo Graal, me aproximo daquele que menos chance de aceitação teria, na minha pouca ou ignorante observação.
Me aproximo desconfortável, mas orgulhoso, e estendo minha mão. Suas mãos eram ásperas e sujas, seus pés descalços, seu cheiro era pouco suportável, sua respiração com grande teor de álcool, suas roupas imperfeitas, assim como toda aquela situação.
Seu nome era Jonas.
- “Um nome da Bíblia!”, digo pra ele.
- “Eu sei. Minha mãe era freira, meu pai, presbítero da Assembleia de Deus”, diz aquele senhor, de 73 anos.
Interesso-me pela sua história. O que o levou àquela condição? Quem é esse homem?
- “O senhor ainda vai à igreja?”
“Não, não, não. Bebida, né? Preciso pagar pelos meus pecados”.
“Mas olha, sr. Jonas. Eu queria que você soubesse que alguém já fez isso por você. O sr. não precisa pagar nada, Jesus já pagou pra você”(Gl 1.4).
Será que ele vai rir? Penso eu. Como Jesus pagou? Olha para esta vida, para a sua situação, será que essas palavras serão mesmo capazes de transformar essa vida, hoje em tão misera condição? Será que um grande peixe será necessário para levá-lo ao entendimento da vontade de Deus?
- “Errante e sozinho nesta vida estou, mas Deus me conduz, me levanta, seguro estou em Suas mãos”, canta, numa melodia saída da Harpa Cristã. “Até me emociono. Não posso cantar”, completa ele.
- “De onde você é? Você tem família?”, ainda ansioso por mais.
- “Tenho muitos filhos e netos. Tive três mulheres, mas matei uma delas. Fui preso. Sou do Paraná! Tenho que pagar os pecados que fiz. Nós não vemos Deus, mas Ele a todos vê”.
- “E por que você não procura sua família?”.
- “Não quero. Meu lugar é aqui. Meu lugar é no jardim. É aqui que eu vou morrer. Aqui, no jardim. Essa é a minha promessa”.
Como eu queria, como eu queria que ele entendesse que no jardim não precisamos morrer (I Co 15.45). No jardim somos eternos. No jardim não precisamos pagar. No jardim não precisamos chorar. No jardim somos aceitos por Aquele que nos criou para estarmos n(E)le.
Como eu queria, como eu queria não ser um querubim de espada flamejante (Gn 3.24), impedindo a entrada daqueles que, manquejando, sujos e rejeitados, desejam estar no jardim.
Marchem*, marchem, pobres de espírito, pois de vocês é o Reino dos céus.
* Talvez uma melhor interpretação da palavra bem-aventurado. (Mt 5)
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Tesouros de vida
A vida cristã possui máximas que escondem tesouros de vida. São frases que arrancam respostas rápidas da nossa boca, como: “- Ah, isso eu posso fazer!”, mas que, ao nos depararmos com nossas humanas limitações, permite-nos vislumbrar a verdade de que a maioria das coisas só acontece pelo poder renovador de Cristo em nós.
Amar as pessoas como elas são, não como deveriam ser. Esse é um dos tesouros mais desafiadores do cristianismo. João diz que aprendemos a amar a Deus a medida que aprendemos a amar as outras pessoas.
Talvez o maior benefício dessa virtude cristã seja a do vislumbre da graça. A medida que permitimos ao próximo se mostrar como é, nos fazemos próximo dele. Somos próximos porque ao nos desnudarmos da nossa falsidade, hipocrisia e religiosidade, descobrimos que, diante de Deus, somos todos iguais. Todos dependemos de Sua graça.
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… graça…
“A graça não coloca em questão o amor de Deus por mim, mas se, afinal, eu O amo!”
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Crentes-periscópios
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação de sua mente”. Romanos 12. 2a
Existem os crentes periscópios. Temos tudo para viver a profundidade e a liberdade da vida cristã, mas insistimos em focar o nosso olhar na superfície.
Viver o cristianismo exige uma transformação da mente, contrastando com a maneira do mundo pensar. Essa mudança não é tão simples assim. Não é simples porque exige discernimento para se entender quais são os padrões do mundo. Muitas vezes, na melhor das intenções, defendemos com unhas e dentes o lado que precisa ser mudado.
Crentes periscópios são rápidos a julgar. Olham para as coisas como se fossem a superfície do mar e estão sempre prontos a atacar qualquer onda que se aproxima de seu campo de visão. Os padrões que requerem transformação não são superficiais, exigem reflexão, meditação na Palavra e tempo com Deus.
Crentes periscópios são experts em respostas prontas. Sua leitura superficial dos fatos e da Palavra exprime opiniões de realidades, quase sempre, não verídicas e de pouca contextualização.
Direcionando a um assunto que é de meu interesse, a arte e, conseqüentemente, o homem, perde com a categorização entre música secular e música sagrada . A sacralização do gospel criou uma indústria sem precedentes, assim como seus estragos. Perdemos a arte. Perdemos a beleza.
O periscopismo na adoração criou um calabouço da expressão criativa e a idolatria do próprio meio, confinando o cristão à mísera expressão, à adoração comercializada, às máscaras que nos tornam reféns da religiosidade.
Músicas continuam sendo compostas, tocadas, ouvidas. Música é o meio, a ligação entre o coração e seu alvo-fim. O periscopismo faz-nos olhar só para ela, esquecendo do coração-homem que clama, que fala, que exprime, que expressa.
Submergir… é tudo que precisamos!
É por uma razão bem diferente que a religião não pode ocupar a totalidade da vida no sentido de excluir todas as nossas atividades naturais. É claro que em certo sentido ela deve ocupar a nossa vida toda. Não há dúvida quanto ao compromisso que há entre as exigências de Deus e as da cultura, ou da política, ou de qualquer outra coisa. A exigência de Deus é infinita e inexorável. Você pode até recusá-la, ou começar a tentar aceitá-la. Não há meio-termo. Entretanto, em vez disso, está claro que o cristianismo não exclui nenhuma das atividades humanas ordinárias. Paulo recomenda às pessoas que continuem nos seus empregos. Ele até assume que os cristãos podem freqüentar festas noturnas; e pior, festas oferecidas por pagãos. Nosso Senhor participou de uma festa de casamento e até providenciou o milagre do vinho. O conhecimento e as artes floresceram sob a égide da sua Igreja, e ao longo da maior parte das eras cristãs. É claro que a solução desse paradoxo é bastante conhecida: “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, faça tudo para a glória de Deus.”
Todas as nossas atividades simplesmente naturais – até mesmo a mais humilde de todas -, serão aceitáveis se forem ofertadas a Deus, e todas elas, até a mais nobre, serão pecaminosas se não forem ofertadas a Deus. O cristianismo não apenas substitui a nossa vida natural por uma nova; ele é, antes, uma nova organização que explora esses materiais naturais para os seus próprios fins sobrenaturais. C. S. Lewis – O Peso da Glória
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O preço da escolha… vale a pena!
É por isso que as rupturas causadas por seguir a Jesus não são devastadoras. Existem rupturas nos relacionamentos pessoais, nos relacionamentos com bens materiais e com nossa vocação. Jesus tem maneiras chocantes para descrever o preço a ser pago por quem deseja segui-lo. “Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos” (Mateus 8.22); “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.26). Em outras palavras, seguir a Jesus é tão importante, que exige comportamentos considerados atitudes de ódios pelo mundo. Tenho visto exemplo disso nas escolhas dolorosas feitas pelos missionários. Eles partem com filhos pequenos para lugares de extremo perigo e deixam pais idosos para trás – bem cuidados, é claro, mas talvez nunca tenham a oportunidade de voltar a vê-los neste mundo. Alguns chamam a isso “falta de amor”. Jesus, porém, tem os olhos fitos nas nações e nas exigências do amor no caso dos missionários. John Piper, O Que Jesus Espera de Seus Seguidores, pgs.78-79.
Meu coração tem entendido mais as palavras acima. Sinto saudades. Saudades dos meus pais, das minhas irmãs, dos meus amigos. Saudades do cheiro de casa, da cor da minha cidade-natal. Sinto saudades dos sons da infância, dos sons de família. Sinto saudades de passar tempos de qualidades com a pessoa amada. Sinto falta de não fazer nada num lugar cheio de significados.
Os versículos acima são fortes e verdadeiros. Existem rupturas. Rupturas procedentes de nossas escolhas por Cristo. Espera-se que o cristão entenda isso, mas não é o que diz a palavra. Ele não está colocando os termos entre quem já conhece a Deus e vai entender as coisas, liberar seus filhos ou pais e pronto. Deus fala, Deus chama, e essa verdade só pode ser conhecida pelo coração que ouve. Mesmo que compartilhada, sempre parecerá loucura. Ainda que escolhida, poucas vezes será compreendida.
Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. (Lucas 14.33)
Ao contrário do que o romantismo religioso apóia, essas decisões trazem aflições e desconfortos, ao mesmo tempo, o prazer de ser discípulo, ouvir a voz doce do Bom Pastor e viver as esperanças de suas promessas trazem uma certeza eterna: vale a pena!
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Noivado
Sou e estou apaixonado.
Não, não é aquela questão de estar cego para todas as coisas.
Mas, talvez você já tenha amado de tal maneira que soube que esse sentimento era exclusivo, era de uma única pessoa. Uma pessoa com quem você desejasse estar, olhar, tocar, quisesse dividir sua vida, renunciar para, cuidar. Uma pessoa também única.
Pessoa que te traz vida, te faz feliz, te traz sentido; que faz surgir o melhor “eu”, que te ensina amar e ser amado.
Isso começa a crescer de tal maneira que o desejo é… casar. Sim, um noivado. Noivado é a expectativa concreta do encontro com a amada. Expectativa tal que consome, que traz novos desafios à vida, que traz alegria. Traz esperança de um viver novo, mas palpável.
Poderia Deus ter trazido outra figura para demonstrar sua relação conosco? Ele é o Noivo, somos a noiva.
Neste tempo onde pouco se fala sobre a volta de Cristo parece que conseguimos ouvir os suspiros de Deus, sua expectativa em encontrar-se conosco.
Somos noivos. Somos escolhas únicas de alguém que nos ama e nos aceita, de amarmos e aceitarmos. De acreditarmos que a nossa melhor escolha é a de vivermos juntos.
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“Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” Colossenses 3.2
Hoje conversamos sobre generosidade aqui na Vila. Durante a conversa fui juntando alguns fatos que aconteceram nos últimos dias e algumas coisas que li que acredito podem trazer algo novo para nós.
Estava dando um workshop, falando sobre traços onde o caráter pode ser observado, evidenciado. Um deles era a vida financeira. Quando me dei conta, todos, inclusive eu, estávamos arrumando justificativas para nossa vida de conforto e consumo.
Tudo começou com uma pergunta aparentemente simples e cuja resposta alguns podem contestar (a maioria). A pergunta era sobre a questão do músico e da igreja com relação a compra de equipamentos. Esse foi sempre um dilema para mim, mesmo quando eu liderava o ministério de louvor da minha igreja local.
Minha resposta? – Todos devem buscar com excelência o desenvolvimento de seus talentos. No caso da igreja, ela quer comunicar algo e isso exige competência técnica. Mas o que é comunicar algo? O que ela tem feito fora das quatro paredes? Seria justo ou excelente, como igreja, gastar 30 mil com uma aparelhagem nova ou suprindo as necessidades do próximo? – parece que próximo, para a igreja, tornou-se os de perto, ou seja, os de dentro, da própria igreja. Quando nossas respostas apontam para nós mesmos, precisamos repensá-las.
Essa questão, principalmente no foco individual, pessoal, nunca vai ser simples, porque não é confortável. Ser generoso é lutar contra a própria natureza. Ser generoso é tirar os olhos de mim e olhar para outro lugar.
Olhar pra onde?
CS Lewis nos lembra “se você ler a História, descobrirá que os cristãos que mais fizeram por este mundo presente foram justamente aqueles que pensavam mais no mundo por vir. A partir do momento em que os cristãos pararam de pensar com frequência no outro mundo, eles se tornaram ineficazes nesse”.
Ser generoso tem a ver com desfocar este mundo e focar no porvir. Quando tomo essa linha de raciocínio entendo que a generosidade diz respeito à fé, mas mais do que isso, faz com que eu viva o eterno no hoje.
Ao olhar para o eterno como esperança no pós-mundo presente, automaticamente desfoco minha vida do finito que me consome e impõe regras aos meus desejos e maneira de viver. Consequentemente e sistemicamente, passo a viver flashes da eternidade futura no presente.
Talvez seja o que Paulo descobriu nos aconselhando a manter os olhos fixos em Jesus, ou o que Jesus nos ensinou ao orarmos “venha o Teu reino”.
Uma cena não me sai da cabeça: a de Oscar Schindler no final do filme A Lista de Schindler. Diante das mais de 1100 pessoas que havia salvado do Holocausto a duros custos – todo seu dinheiro e casamento – acredita não ter feito o suficiente. Pensa no dinheiro que gastou em festas e diversões, olha para o carro, para o pequeno broche que ainda possui em seu blazer e se dá conta que poderia ter salvado mais pessoas.
Fez da sua vida, generosa, a oração “venha o Teu reino”. Para aquelas pessoas que estavam diante de Schindler, o Reino se fez presente.
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Música… cristã???
Ler sobre a história da música e sobre teologia da adoração chega a ser “perigoso”. Você já se questionou sobre onde tudo isso começou???
Bom, não acho que tenho que entrar nesse assunto agora, mas por mera observação podemos constatar o quanto, hoje, nossa adoração se limita a experiências sobrenaturais, místicas e, na maioria dos cultos evangélicos, centrada no homem. Além do fato de que dificilmente alguém difere adoração de música.
Parece, na verdade, que a ênfase mística e emocional é tão envolvente que torna o povo ignorante ou com pouco poder crítico sobre o contexto. Também não quero entrar, neste post, na questão do uso da música como manipulação psicológica.
Vou dar um exmplo: como cristão, acreditamos que Deus é onipresente – fico impressionado, nos workshops que tenho dado para ministérios de louvor, com o fato das pessoas não terem esse entendimento teológico. Como interpretar o fato de que 80% dos ministrações de louvor nas igrejas começam assim:
- Vem, Santo Espírito! Vem neste lugar!
Falta base teológica? Sincretismo religioso? Talvez os dois?
Tive um professor de etnomusicologia que fez uma pesquisa em centros de umbanda, igrejas evangélicas e em mais outra religião que não me lembro. Não é de se espantar que encontrou os mesmos elementos em todas elas.
Para não ser tão crítico, estamos falando de religião e, antropológicamente, qual seria o problema, ou, seria natural encontrarmos tais semelhanças sendo que quem adora – independente de a quem adora – seja o homem?
Pensando na música, vejo na frase citada como exemplo (acima) uma função também. Teológicamente pode ser desconexa, mas ela pode exercer uma função no ouvinte, sensibilizando-o a perceber a presença de Deus, que já está ali. Mas seria isso necessário através de uma “mentira” ou encontraríamos outras maneiras de fazê-lo? Podemos pensar na funcionalidade comunicativa e ignorar as consequências cotidianas disso na vida das pessoas? O que temos alimentado?
Porque, para pensarmos assim, acabamos questionando outras coisas, como: por que precisamos sentir algo? Não seria isso também uma influência do espiritismo no meio cristão? Não estamos ali apenas para expressar, comunitariamente, nossa devoção a Deus?
Sim, tenho minhas respostas, mas prefiro trabalhar com os questionamentos para trazê-lo para este mesmo âmbito comigo.
O que observo de mais crítico nisso tudo é a aceitação pacífica de costumes. Talvez alguns já estejam achando profano essas poucas palavras.
Adoro a Deus porque Ele deu ao homem um dom pouco usado, pensar. Pensar é cultuar, pensar é adorar.
A Ele toda glória, pra sempre!
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Torres
Em Gênesis vemos um texto interessante: a Torre de Babel.
A narração vem logo após a história do Dilúvio, o que pode trazer novo significado ao texto. Seria a torre uma forma de fugir, se garantir, caso houvesse um novo dilúvio?
No entendimento de um recomeço, após o dilúvio, poderia ser uma maneira do homem ver e driblar a situação: continuar com o coração distante de Deus, mas fugir das consequências, de uma nova aniquilação. Alguém já viu essa história? Vejo todas vez que olho para o espelho da minha alma.
Tenho gasto muito tempo conversando com pessoas, ouvido suas histórias, orando e pensando sobre Deus e suas histórias. Tenho visto que há certas tendências no ser-humano: esquecer da Palavra de Deus ou duvidar daquilo que Ele falou.
Começo a perceber que nossa vida, em vez de estar baseada num relacionamento com Ele, está baseada em ritos e exterioridades. Como diz James Houston, “O que a maioria das pessoas precisa não é mais conhecimento da fé, mas determinação espiritual para pôr em prática o que já conhece, não importando quais sejam as consequências. A verdade é uma questão de vida ou morte – por ela morremos, por ela vivemos.”
Por qual verdade temos vivido? Quão altas estão as babéis da nossa vida?
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O centurião – Mt 8.5-13
“Eu não mereço receber-te debaixo do meu teto…”
Esse é o sentimento que sempre tenho. Não mereço receber Jesus na minha casa, no meu coração. Essa frase eu vivo e revivo dia após dia. Olho para mim e constato que sou indigno.
Eu vou até o Mestre porque preciso de ajuda. Ele não se escandaliza com isso. Ele se compadece do meu sofrimento! Instantaneamente responde: “Eu vou. Eu irei.”
Sim, ele não tem medo e nem se opõe em ir até a sujeira. Ele não se contamina. A sua resposta é simples, autêntica e suficiente: eis-me aqui!
Mas Ele vai até onde eu permito. Meu sentimento de indignidade, a minha vida podre… Como hei de recebê-lo? Não venha, Senhor. Mas faça daí.
Não há dúvidas de Ele tem poder para fazê-lo. Mas o quanto eu quero que Ele faça?
Que palavra de alento e, ao mesmo tempo, de tristeza. O quanto perco com isso? desfruto do poder de Deus mas, e da sua presença?
Não vejo que Ele se importou muito com isso no texto. Pelo contrário. Mas a situação era bem particular.
Ao contrário do que muitas vezes cantamos, Deus não é, automaticamente, a voz que comanda nossas vidas. Para que isso aconteça preciso ouví-la e querê-la, onde e até onde eu permitir.
Talvez essa distância ganhe nome e espaço dentro de nós: superficialidade; religiosidade; adoração egocêntrica, instantânea, momentânea, dominical…
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